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jueves, 31 de diciembre de 2009

rodas de "tiriri" (espécie de capoeira)



O menino do São Benedito, e outras crônicas‎ - Página 262Luís Nassif - 2001 - 452 páginas
... juntava suas latas de graxa para rodas de "tiriri" (espécie de capoeira) ... a rádio Tupi criou o concurso "À procura de um astro", para conseguir um ...

sábado, 19 de diciembre de 2009

TIRIRICA DE SAO PAULO

Texto a ser apresentado no VIII Encontro Regional Sudeste de História Oral.
Simpósio - Historia Oral: Teoria e Metodologia
SANTOS, André Augusto de Oliveira, Unicamp, estudante de graduação, Fapesp, Reflexões sobre o uso da metodologia da história oral em um trabalho de Iniciação Científica.
Reflexões sobre o uso da metodologia da história oral em um trabalho de Iniciação Científica.
A tiririca
A prática do jogo da tiririca foi muito comum ao longo da primeira metade do século XX, na cidade de São Paulo. O nome do jogo tem origem em um mato rasteiro, muito comum em todo o mundo, de difícil controle, que se espalha rapidamente e corta o corpo das pessoas que ralam em cima dele, conhecido popularmente como tiririca.
Acontece que o jogo dos engraxates também possui as mesmas características do mato. Como me explicou Toniquinho Batuqueiro, tendo que ir ao chão para aplicar os golpes ou mesmo em decorrência das quedas, os praticantes do jogo estavam, ao final, todos ralados, donde se dizia que estavam na tiririca. Além disso, a prática do jogo também se espalhou rapidamente pela cidade de São Paulo e seu controle, por parte dos policiais, era muito difícil, desmontando uma roda aqui e outra surgindo logo ali ou, no dia seguinte, no mesmo lugar.
O jogo da tiririca é, por mim definido, como uma roda de sambistas, onde toca-se o ritmo do samba em qualquer instrumento disponível no momento – como caixas de engraxate, tampinhas de latas ou latões de lixo -, ou mesmo só sob o ritmo das palmas dos participantes que, em coro, entoam refrões que remetem às pernadas do jogo. Dentro da roda, dois sambistas de cada vez, sambando, tentam derrubar um ao outro com golpes de perna, sendo o principal deles a banda. Tendo caído um dos participantes, nova dupla entra na roda ou surge um novo desafiante ao vencedor. Um interessante exemplo de canto foi recolhido no depoimento de Seu Carlão:
Genipapo caiu de maduro
Quero ver de fato se esse nêgo é duro

Os cantos constituíam-se geralmente apenas por um refrão cantado em coro, onde as pernadas e
demonstrações de valentia são temas prediletos. Tendo vindo do interior do estado aos dez anos, Toniquinho Batuqueiro relata que o que se cantava na roda de tiririca era geralmente inspirado nas cantigas ouvidas na infância, nas rodas de cururu, jongo, samba rural ou batuque de umbigada. Osvaldinho, por sua vez, atribui forte influência das cantigas cantadas pela avó indígena no seu repertório musical. Desta maneira, sabemos que os cantos e até a dança da tiririca foram influenciados por manifestações originais do interior do estado.
O ritmo batucado, por sua vez, é rasgado, ou seja, numa velocidade acelerada - semelhante à do
samba de roda baiano ou do jongo do interior do estado – que permitia os rápidos movimentos das pernas. Assim, surgem outros ritmos que influenciaram o batuque da tiririca. Procurou-se mostrar assim, que o samba urbano de São Paulo, diferentemente do samba carioca3, cresceu como uma “cultura de rua”, nas praças, estações de trens, largos e ruas menos movimentadas da
cidade, onde os filhos desses migrantes cantavam as canções ouvidas no interior e aprendidas com pais e avós, enquanto batucavam na caixa, seu instrumento de trabalho e tentavam derrubar um ao outro com golpes de perna.
http://www.historal.kit.net/andre_santos_-_teoria_e_metodologia.pdf

lunes, 14 de diciembre de 2009

Sao Paulo- Tiririca e Pernada


Germano Mathias
Ilustração para a revista +Soma, 11ª edição.Na seção Versões e Subversões, a revista convida ilustradores para fazer uma versão pessoal para a capa de um disco de sua escolha - no meu caso, o Ginga no Asfalto, do Germano Mathias.Acompanha o texto:Germano Mathias participava das rodas de samba dos engraxates na praça João Mendes, no centro de São Paulo, onde começou a batucar na latinha de graxa (uma marca dele até hoje). Ali, onde se jogava a tiririca - uma forma de sambar dando pernadas para derrubar o outro - achei uma boa imagem para minha versão da capa do disco Ginga no Asfalto, de 1962. Como ele mesmo diz, é o último dos moicanos a fazer o samba sincopado (um estilo de samba diferente, com batidas bem marcadas e com a voz e os instrumentos bastante sincronizados), representando, com seu sotaque carregado, o mais paulistano dos sambistas.2009
Illustration for +Soma magazine, issue #11.In section Versões e Subversões (versions and subversions), the magazine invites illustrators to make personal versions of album covers of their choice -- in my case, Ginga no Asfalto, by Germano Mathias.Includes the text:Germano Mathias used to join the shoeshiners in samba gatherings in João Mendes square -- São Paulo downtown -- where he began to play using cans of shoe polish, still his trademark today. There, where they danced the tiririca -- an expression of samba involving leg moves to knock down the opponent -- I found a good image for my version of Ginga no Asfalto (1962) cover. As Germano himself uses to say, he is the last of the Mohicans to make "samba sincopado" -- a different samba style, with well-defined beats and well-synchronized voices and instruments -- representing, with his characteristic accent, the most traditional samba from São Paulo.contato@andreberger.com.br // 55 (11) 8034 5044

Toniquinho Batuqueiro ensinou Germano a fazer tiririca


O menino do São Benedito, e outras crônicas‎ - Página 262Luís Nassif - 2001 - 452 páginas
... Toniquinho Batuqueiro, ainda vivo, que ensinou Germano a fazer tiririca e dar pernada,

cita sobre pernada: Artes do corpo‎ - Página 179Vagner Gonçalves da Silva - 2004 - 252 páginas
Nessa vale tudo, não é como a capoeira, que só pega mesmo se você se descuidar, ... Pernada, não; era teco no calcanhar, outro na perna e, quando você não

viernes, 11 de septiembre de 2009

A CAPOEIRA NO RIO DE JANEIRO 1910 – 1950: NARRATIVAS DE MESTRE CELSO

A CAPOEIRA NO RIO DE JANEIRO 1910 – 1950: NARRATIVAS DE MESTRE CELSO
Gabriel da Silva Vidal CidGraduando em História da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO)

...........Na década de 1930 Sinhozinho ensinava e praticava capoeira em academias e instituições militares, sua capoeira visava um tipo de eficiência que a diferencia da capoeira atual.
Quando perguntado sobre a capoeira do Sinhozinho, Mestre Celso nos respondeu:

"Não cheguei a ver não, na polícia especial tinha uns caras que diziam que eram capoeiristas do Sinhozinho, naquela época eu não cheguei a ver. Eu era garoto meu irmão foi guarda civil. Meu irmão não chegou a fazer isso não, a ser capoeirista do Sinhozinho. Na polícia especial tinha capoeira." (Mestre Celso, 23/04/2002)

Durante o período do Estado Novo houve um rearranjo político onde as classes médias urbanas ganharam a possibilidade de uma maior expressividade, havendo um "discurso dirigido às classes trabalhadoras, fundamentado nos argumentos da ordem e da disciplina" (VIEIRA, 1995:57). Esta cidade disciplinada passa a isolar as atividades populares ou controla-las, é o caso da capoeira. Deste modo, em 1934 Getúlio extingue o decreto que proibia a capoeira, embora já fosse divulgada dentro das instituições militares. Posteriormente a este período, o que temos são resquícios destas manifestações populares, que acreditamos serem próximas a capoeira, que podemos exemplificar com depoimentos de Mestre Celso.

"O que eu vi, em 1954 eu era garoto. Eu vi um rapaz que trabalhava numa fábrica de vidro um rapaz negro, pessoal chamava ele de Maneca. Ele jogava capoeira, meu irmão brincava com ele de briga, e ele. Meu irmão as vezes dava chute nele soco ele descia no chão ele dava meia lua saia na negativa ele jogava capoeira. ele fazia algumas coisas de capoeira ele devia ser um capoeirista. Mas, não vi assim ele jogar capoeira com uma outra pessoa né. Vi dois capoeiristas jogarem capoeira já em 1959, eu vi dois capoeiristas jogarem capoeira em 1959, esses dois capoeiristas eram aluno do Arthur Emídio isso em Ramos 1959." (Mestre Celso, 23/04/2002).

Quando perguntamos se aquilo era capoeira Mestre Celso respondeu:

"A gente não dizia que era capoeira não. Dizia que ele era um cara malandro, né. Eu tinha um primo que também, teve preso na ilha Grande. Americano, né o apelido dele era Americano. Esse meu primo fazia também algumas coisas de capoeira rolava no chão jogava a perna dava cabeçada, mas ele já dizia que aquilo era tiririca, eles faziam lá na Ilha Grande no presídio. Não diziam que era capoeira." (Mestre Celso, 23/04/2002).

Embora Mestre Celso se refira a estes movimentos como sendo típicos da capoeira, foi enfático ao dizer que apenas viu roda de capoeira depois que Arthur Emídio veio para o Rio de Janeiro.

"Olha, o Rio de Janeiro que eu sei, roda de capoeira era feita. Primeira vez que eu vi roda de capoeira foi numa academia do Arthur Emídio na praça Mauá, em 1959. Eu vi ele tocando Berimbau, alias, ele o Paraná tocando berimbau, e alguns capoeiristas jogando capoeira, em 1959 né." (Mestre Celso, 23/04/2002).

Sobre as rodas de pernada, prática que alguns autores colocam como sendo transformações ou resquícios da capoeira, nosso entrevistado acrescenta:

"Agora, o que cantava no Rio de Janeiro, assim em praça nas praças. Eles botavam roda de pernada. Eles batiam no tamanco, um tamanco contra o outro. Ou se não na caixa de fósforo. E cantavam: abre a roda menina; desce o samba a direita (...). E ali um dava pernada no outro. Era roda de pernada ali não era nada de capoeira. por que não tinha capoeira no Rio." (Mestre Celso, 23/04/2002).

E diferencia também a tiririca da capoeira e a roda de pernada:

"O meus primos diziam que, a respeito de tiririca. Tiririca o camarada jogava aqui no chão, e metia a perna no cara no chão, no que tava em pé, ai o cara caia assim jogava a mão assim, e assim, e assim, e assim, daqui a pouco ele metia a perna ou se não ele já fazia assim dava uma cabeçada. Era um negócio que não era capoeira." (Mestre Celso, 23/04/2002)
http://www.unirio.br/morpheusonline/Número%2003%20-%20especial%20memória/gabrielcid.htm