miércoles, 10 de febrero de 2010

JOSÉ VERISSIMO DIAS DE MATTOS:Um crítico na direção do Gymnasio Nacional (1892-1898)

JOSÉ VERISSIMO DIAS DE MATTOS:
Um crítico na direção do Gymnasio Nacional (1892-1898)

A abolição ocorrida em 1888, provocara o êxodo de escravos da região cafeeira do estado do Rio de Janeiro para a cidade. A imigração estrangeira, principalmente de portugueses, também muito se acentuara, nesse período, fazendo aumentar ainda mais a população da cidade. Ainda segundo o recenseamento federal de 1890, 327.980 habitantes eram brancos; 112.879 mestiços, 64.538 negros e 17.445 caboclos. Do total populacional do Rio de Janeiro, 398.299 eram brasileiros;106.461 portugueses e 117.891 de outras nacionalidades.
O rápido e expressivo crescimento populacional resultou em graves dificuldades. Inúmeras pessoas sem emprego ou em ocupações mal definidas viviam, naquele momento, à margem da sociedade.
Eram ladrões, prostitutas, malandros, desertores do Exército, da Marinha e dos navios estrangeiros, ciganos, ambulantes, tropeiros, criados, serventes de repartições públicas, ratoeiros, recebedores de bondes, engraxates, carroceiros, floristas, bicheiros, jogadores, receptadores, pivetes (a palavra já existia). E, é claro, a figura tipicamente carioca do capoeira, cuja fama já se espalhara por todo o país e cujo número foi calculado em torno de 20 mil às vésperas da República.240
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Aquino, em 1888 havia 1331 cortiços, com 18.866 quartos e uma população de 46.680 pessoas266.
Um dos maiores cortiços , o “Cabeça de Porco”267 - cujo nome sugestivo se deveu ao “grande portal, em arcada, ornamentado com a figura de uma cabeça de porco que figurava na sua entrada principal”268 - ficou imortalizado por ter servido de inspiração para a obra intitulada “O cortiço” de Aluísio Azevedo, em 1890.

240 José Murilo de Carvalho. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 18.
266 Lia de Aquino Carvalho. Contribuições ao estudo das habitações populares. Rio de Janeiro, 1886-1906. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1995, p. 140.
267 O “Cabeça de Porco”, com acesso principal pela rua Barão de São Félix, nº 154, possuindo outras ramificações contendo mais casinhas e várias cachoeiras, era ocupado por cerca de “4000 moradores, entre eles muitos perigosos malandros e capoeiras, que nela sempre resistiam à polícia”. Cf. Brasil Gerson. História das ruas do Rio: e da sua liderança na história política do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 2000, p. 211. Esse cortiço foi destruído na administração do prefeito Barata Ribeiro, em 26 de janeiro de 1893.
268 Sidney Chalhoub. Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte Imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 15.

http://www.uff.br/pos_educacao/joomla/images/stories/Teses/alvesd2006.pdf

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