miércoles, 20 de enero de 2010

AS TENSÕES RACIAIS E AS REELABORAÇÕES DAS SOCIABILIDADES
EM SÃO PAULO: UM OLHAR SOBRE OS MEANDROS DA
CONFIGURAÇÃO MUSICALIDADE AFRO-BRASILEIRA, 1890-1940

Os habitantes da Barra Funda podiam participar de várias atividades de
lazer e reuniões comunitárias festivas, tais como as rodas de partido alto, de capoeira e de pernada. Os homens negros do bairro da Barra Funda eram exímios capoeiristas e habilidosos passistas de samba, reconhecidos valentes nas rodas da malandragem paulista, apelidados como “negros da Glete” ou os “bambas da Barra Funda”, destacando também por sua “ginga” nos campos de futebol.(MORAES: 1997, 63) Desses grupos da Barra Funda surgiram blocos e cordões do carnaval paulistano, como assinala um dos fundadores do Grupo Carnavalesco da Barra Funda, o Sr. Dioniso Barbosa, em um relato 1981, registrado pela antropóloga Ieda M. Britto Hori:
Os valentes, da pesada, da Glette, me esperavam na esquina com a Av. São João para ver se eu tinha 400 réis para pagar pinga para eles. Quando nós dávamos baile aqui, eles ficavam no bar da esquina a noite inteira, prontos para entrar ‘se houvesse qualquer coisa’. Eles não entravam, mas gente do bairro eles protegiam.(...) Eles ensacavam. Quando não tinha serviço no Paulo Chaves, aquele armazém grande que tem atrás da Sorocabana, ali, na Conselheiro Nébias, eles iam para Santos atravessar saco de café de um armazém a outro a 200 réis cada um. Vinham no sábado com dinheiro para comprar a vez da dança no baile. (...) Félix Costa, João Caboclo, Arnaldo Tintureiro, Ildefonso, Amargoso, estes eram os valentões. O samba deles era: é hora do zumzunzum, quem não com dois leva um. Eles ficavam sambando, fazendo mesura, e uma hora passava a perna ou dava umaumbigada. Era a capoeira (ROLNIK: 1999, 76, 77).
http://www.ourinhos.unesp.br/geografiapesquisa/docs/Artigo%20Maria%20Inez%20M%20Borges%20Pinto.pdf

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